domingo, 3 de abril de 2022

A MÃE NARCISISTA “ASFIXIA” OS FILHOS

 


Desde o início da minha adolescência em diante houve uma espécie de desejo de aniquilamento da minha personalidade ainda em formação, pela minha mãe que começou com os ciúmes e com as cobranças, e carências dela.  A manipulação da mente e o “roubo” da minha identidade através das críticas severas e fofocas e das mentiras que eram contadas quando eu demonstrava amar outros parentes consanguíneos, por exemplo. Lamentavelmente haviam comparações mesquinhas de uma concorrência infantil da parte dela e desleal e as chantagens emocionais. Mas vamos colocar cada coisa em seu lugar para que possam me compreender melhor, eu não podia admirar ninguém, quando isso acontecia parecia que estava cometendo um crime parecia que estava fazendo algo errado, nascia em mim um sentimento de culpa que nunca mais cessou. Não podia elogiar pessoas que eu gostasse ou me aproximasse para novas amizades, isso sempre era um problema. Se na mesa do almoço de domingo eu não elogiasse a sua comida, ganhava uma cara fechada da minha mãe que se lamentava e cobrava agradecimentos ou pelo menos elogios, e um desprezo que se seguia com as horas até o outro dia. Doutra feita não podia ter minhas próprias opiniões, desejos, gostos, nada que fosse fora do mundo egoísta e narcísico dela. Tinha que gostar somente dela, apreciar somente os seus talentos e aplaudi-la sempre (não sabia o que deveria “aplaudir”) ou do contrário eu recebia críticas e era alvo das mais sórdidas chantagens emocionais e de represálias e mais desprezo.

Nunca pude ter opinião positiva sobre outras pessoas nem ter diante dela demonstrações de carinho com os outros, isso na certa era ensejo para as mais descabidas cobranças e aborrecimentos. Minha educação ficou aquém do que precisava para ter uma base emocional sólida desde o início da minha  infância o que provavelmente me garantiria boa formação do meu caráter desde cedo de forma saudável, coisa que acidentalmente minha avó paterna, num rápido momento que convivi em seu lar, me passou, o que foi o divisor de águas em minha vida num determinado momento.

Não quero omitir que fui extremamente mimada, filha única de um lar disfuncional, é preciso dizer que minha mãe me cuidou e sozinha precisou ter coragem para ser pai e mãe, vencendo os desafios de criar uma filha, precisava ela também buscar em seus arquivos de memória uma mãe benevolente, cuidadosa, zelosa, amorosa e protetora, o que ela definitivamente não teve! Existem mães narcisistas que fazem experiências absurdas com seus filhos e são para eles traumatizantes o que não foi o meu caso, pois minha mãe cercou-me de todos os cuidados e mimos justificando assim sua ausência como educadora e disciplinadora que carecia ter sido. Mas não consigo aceitar em minha essência, o fato de deixar de relatar aqui que a minha mãe foi superprotetora... excessivamente protetora! Em um momento da minha infância ela era carinhosa e  meiga não consigo entender o porquê disso, como nossos caminhos e nossa relação adoeceu tanto e aos poucos transformou-se numa convivência doentia baseada na manipulação, no controle, na falta de autoridade, no abuso de autoridade, nos relacionamentos abusivos, nos exemplos pouco didáticos, nas ofensas e nas escolhas que só acarretaram dores para nossas almas, porque mesmo não tendo muita empatia, o narcisista nato, cria para si uma vida de pseudoverdades que desmorona a cada ciclo de sua vida. Como disse no texto anterior os valores passados pelos pais e responsáveis são os mais relevantes para a formação da personalidade e do caráter de uma criança, onde ela, a criança entende que precisa de limites, disciplina, direção, orientação e exemplo. Uma mãe com transtorno de personalidade narcisista pouco se importa com “detalhes”, ela alimenta, abriga, limpa, cuida, mas se não se sente o centro das atenções de seus filhos, fica frustrada e ressente-se.

As mães são os seres mais importantes na vida dos seus filhos, claro que a figura paterna tem sua importância dentro de um lar funcional, extremamente necessário para que possamos crescer saudáveis e felizes nos sentido acolhidos e protegidos. Mas são as mães que criam vínculos profundos com seus filhos elas geram, amamentam acalentam e dão o seu calor, esta proteção, esse contato mais íntimo é imprescindível para a boa formação da autoestima e da autoconfiança da criança, ela aprende a amar sendo amada, aprende a dar carinho porque recebe, aprende a sorrir, a abraçar desde o primeiro momento em que sua mãe a envolve e lhe alimenta com essa energia que só as mães possuem. Uma mãe narcisista não consegue nutrir com amor saudável por muito tempo seus filhos porque tem uma forma muito peculiar de vê-los, de senti-los e de criar cada um dentro desses lares disfuncionais, ela quer ser o centro das atenções e quando este filho começa a se identificar como gente, falando, começando a escolher, a mostrar seus gostos pelos alimentos, pelas próprias roupas, pelos amiguinhos da escola, isto é, as identificações e as afinidades com outros humanos, então esta mãe entra em colapso, porque obviamente ela deixa de ser o centro das atenções e é aí que mora o perigo. Não sobra espaço para esse filho poder demonstrar que cresce desenvolvendo gostos e afinidades comuns a todo ser humano, e é nesse momento que os desencontros sutilmente acontecem, se esse filho passa a  direcionar sua atenção para outros setores da vida, principalmente se for filha menina, as meninas são mais visadas e mais atingidas, embora se saiba que mães narcisistas também perseguem filhos homens.

A criança ainda está em formação, porém sua mãe deixa pouco a pouco de acalentá-la e de protege-la quando percebe que não é aplaudida, quando seus desejos em desalinho de ser superior a todos e reconhecida por isso não são satisfeitos. A criança crescerá com lacunas existenciais, traumas, experiências negativas que lhe acarretarão problemas, distúrbios, ansiedades, medos, culpas e complexos que vão lhe acompanhar por toda a  sua vida.

A asfixia acontece quando os filhos e filhas tentam ter uma vida normal. Tudo fica mais complexo e cruel, já que esta mãe necessita ser o centro das atenções e como ela “nunca” erra “é perfeita” e “soberanamente justa”, a “melhor” pessoa do mundo, começa então a impedir que seus filhos tenham outras preferências ou amores. Se essa filha ou filho contradiz ou se opõe por algum motivo saudável e absolutamente normal cada um é um universo a parte, começam as sanções, as sabotagens e castigos. Um grande labirinto de medos e anseios, de intrigas e de desentendimentos, humilhações e chantagens emocionais juntamente com maus tratos que podem ser visando atingir o emocional, etc., e castigos dos mais diversos, são emboscadas nesse “labirinto” de relações tóxicas e pouco didáticas para qualquer ser humano em formação.

É preciso querer quebrar esse ciclo de dores e sofrimentos buscando ajuda profissional e amparo em outros membros da família, assim como quando adultos devemos procurar orientação de profissionais dedicados a área da psicologia.

 

Texto de autoria de: Letícia Gonçalves

Imagem: Pinterest

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